A hora e a vez da psicografia

outubro 13, 2012 at 5:32 pm 1 comentário

Como vocês sabem, Deus deu ao blogueiro o dom de ver espíritos  .

E não é que ele conversou com seu falecido companheiro de SEDUC, Eduardo Lauande.

Vejam o que o dono do blogue psicografou:

Edmilson Rodrigues, o obtuso*

Caríssimo Márcio Almeida, [Luis Cavalcante] e demais blogueiros,

O debate esquentou entre nós blogueiros sobre a eleição de 2008. E aqui muito já se falou sobre alguns possíveis pré-candidatos.

Vou falar um pouco do meu amigo Edmilson Rodrigues.

Mesmo não tendo um amplo projeto macro de sociedade e de reforma urbana, o Edmilson Rodrigues fez um adequado governo em questões sociais, principalmente na educação, mas teve seu esgotamento por ser obtuso politicamente por 03 (três) motivos: 1) não tinha, como eu já disse, um projeto macro societário; 2) não sabia dialogar com todos atores políticos da sociedade; e 3) o seu projeto político era personalístico e ciclotímico.

Na época o próprio articulador político do governo, o sempre parcimonioso Aldenor Junior, reconhecia que faltava operação política para conseguir acordos com a Câmara Municipal de Belém (CMB) e o governo não fazia esforço mais intenso de convencimento político. Também um outro problema de Edmilson foi mesmo com a dificuldade de chegar a acordos, com seu próprio partido e com a CMB.

Aditivamente com a falta de um amplo projeto macro de sociedade e de reforma urbana, logo a principal razão dessa incapacidade de criar um projeto extenso era, também, porque Edmilson bloqueava, no sentido de dialogar, o “lavrar” legislativo, porque tinha um caráter “pouco institucional” e que optou por governar pelo convencimento direto da opinião pública no hiper-ambíguo, carcomido e partidário Orçamento Participativo e pelo exercício da sua inconstante “vontade política”, dificultando a relação com os atores institucionais, os partidos e os parlamentares.

Edmilson, por suas idéias e seu estilo de governo voluntarista e em campanha permanente, lembrava um “populismo sectário” (como bem poderia dizer Ernesto Laclau). Mas a raiz de seu problema estava na noção de imaginar que com vontade política e apoio popular, era possível governar sem a CMB, impondo-lhe as idéias que julgava necessária e que o povo demonstrou desejar ao elegê-lo.

Eu lembro que ao condenar a amplitude das alianças de Lula, de uma forma ou de outra, Edmilson acreditava que apenas sua vontade política e o apoio popular permitiam elidir a necessidade de compor uma maioria parlamentar suficiente para dar sustentação política ao seu projeto governamental.

Mas as dificuldades de Edmilson trazem uma lição considerável: na democracia, não é possível substituir a via institucional pela ação pessoal e pelo apelo ao povo. Nem é possível governar sem agir politicamente, como se a governança, não envolvesse pactos, acordos, negociações e alianças. E um governante pode fazer tudo isso sem ferir com ética: é só ter um projeto coletivo e conversar com todos atores políticos.

Parece algo fácil, mas não é se o governante não tiver vocação democrática para o diálogo.

Sem vocação democrática para o diálogo, Edmilson não atentou que a formação da maioria parlamentar é um processo difícil e, às vezes, impõe limites reais ao que um prefeito pode fazer. Certamente, há formas de obter apoio para políticas de governo, que não envolvam concessões que ágüem as propostas a ponto de torná-las irreconhecíveis ao criador. Mas, idéia de que é possível governar sem negociar e sem fazer alianças, leva rapidamente ao bloqueio político, à crise de governança e aos limites da governabilidade.

Deste modo, é indispensável uma equação política que garanta a governança e a governabilidade. Entendo assim porque, repito, a maioria dos votos na corrida pela prefeitura de Belém, não significa ter maioria para governar. A sustentação política do governo sai também de outra lógica eleitoral, que compõe a representação parlamentar. Por conseguinte, pensar a prefeitura, no presidencialismo, é também pensar na sustentação política para seu exercício eficiente e democrático.

Mesmo com todos esses problemas de sectarismo político, Edmilson é um fortíssimo pré-candidato por dois motivos: 1) passou 8 anos no governo e deixou uma marca que fez muitas coisas e em algumas coisas consideradas muito boas; 2) com o desgaste progressivo do prefeito Duciomar, paradoxalmente, pode ser um requerimento da população ao dizer: “o Edmilson fez, já Duciomar não fez nada” (isso é tão real que a atual propaganda do Duciomar tem o seguinte mote defensivo: “ele faz sim”).

É isso aí.

Aquele abraço,

Lauande.

*Texto publicado no Blog do Lauande em 27/12/2006

Imagem: Google

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Aos abestados do PT Feliz Círio II

1 Comentário Add your own

  • 1. Anônimo  |  outubro 14, 2012 às 3:20 pm

    Edmilson sempre conseguiu controlar a Câmara Municipal a peso de ouro, era a prática do mensalinho e outras benesses oferecidas aos vereadores, alguns ainda hoje compõem a atual
    bancada.

    Resposta

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