Archive for agosto 11, 2012

Sobre os abestados

Abestados? Com Certeza.

Invenção do PSOL? Nem tanto.

Por Humberto Lopes

Mestre em Ciência Política

Caro Luís,

Em seu blog, no dia 03 de agosto, você postou uma crítica ácida aos filiados e militantes do PT que estão aderindo à candidatura de Edmilson Rodrigues. Você os qualificou de abestados. Como lhe conheço, deve ter sido extremamente difícil refrear seus impulsos de chamá-los por outro nome.

Dirigentes e militantes do PT têm chamado os que fazem essa opção de vendidos. Os ditos militantes se defendem alegando que votar em Edmilson é garantir “a esquerda” ou se escondem debaixo do manto da independência1.

Há os que, mesmo declarando o voto em Alfredo Costa, se insurgem contra o “patrulhamento” ou vejam no PSOL um aliado estratégico – como é o caso do professor Cássio de Andrade em seu perfil no Facebook, transcrito para o blog do Espaço Aberto.

Vamos começar do final. Cássio comete dois erros. Não é patrulhamento um partido cobrar coerência de seus filiados. A filiação a partido político é ato individual, manter-se nele enquanto concordar com suas diretrizes é coerência. Desligar-se ou licenciar-se de um partido quando em divergência é um direito inalienável.

O segundo erro de Cássio é enxergar no PSOL um aliado estratégico na construção da radicalidade democrática e do socialismo. O meu ex-colega de PTP descamba da critica política para a ficção, ao gosto dos antigos sovietes supremos do PCURSS. Se visitarmos um ou dois sindicatos dirigidos pelo PSOL, veremos que democracia não é um substantivo presente na vida destas entidades. Quanto ao socialismo, o PSOL não enxerga essa qualidade no PT, mas sim em “militantes valorosos, porém equivocados”.

Quanto aos argumentos dos que pulam a cercam, creio que o da independência já foi debatido o suficiente. Quanto ao suposto esquerdismo do PSOL, é necessário que se esclareça. Vamos considerar que Edmilson enquanto individuo tenha uma formação e uma prática que o qualifiquem como “militante valoroso, porém equivocado”. E quanto ao PSOL, qual socialismo?

O da CST e o do MES dirigindo greves dos servidores públicos federais2 país afora? O do senador Randolfe Rodrigues, capaz de afirmar que pretende que o PSOL seja um partido dirigente, com capacidade de dialogo com a social democracia?

Nos dois casos há duplicação de esforços.

Os grevistas estariam melhor aboletados no PSTU. No segundo caso, não era necessário sair do PT para isso3.

É necessário um excesso de tolerância e boa intenção4 para enxergar o socialismo do PSOL. Pelo menos naquilo que está na rede, não é possível vislumbrar estratégia, tática ou programa que qualifiquem o partido para mais do que um debatedor de conjuntura5. Suas correntes internas e seus parlamentares valem mais individualmente – quando o tema é clareza de visão – do que o partido como conjunto.

Por fim, a critica dos dirigentes aos que fazem outra opção. Ela é correta quanto ao objetivo: apontar insatisfação com o abandono do barco num momento em que ele faz água. Mas erra na falta de perspectiva histórica.

Não foram o PSOL, a APS ou Edmilson que inventaram a cooptação via promessa de cargos e verbas. No próprio governo da Ana Júlia esse movimento era constante, mas entre tendências. Eu recebi, na Casa Civil, diversos militantes dispostos a vender o passe para DS, minha corrente à época. A maioria não sabia uma linha do que a tendência defendia. Muitos não sabiam nada do que a tendência na qual estavam militando acreditava. Boa parte nunca havia lido uma pagina sequer das resoluções do PT.

Então, criticar o PSOL, a APS e o Edmilson por terem visto uma lacuna e a preencherem não resolve nosso problema.

O PT tem que fazer autocrítica e reconhecer que nos últimos anos não tem arregimentado militantes, mas filiados. Que as tendências deixaram de ter papel catalisador de pontos de vista, para se tornarem aglomerações de mandatos. Que sua formação política oferecida pelo partido mal passa de preparação de cabos eleitorais e de fiscais de eleição e apuração.

O Partido dos Trabalhadores – para evitar se tornar uma copia malfeita de si mesmo – deve fazer uma reflexão sobre seus passos ate aqui. E deve voltar a enfrentar as causas pelo seu valor, não pelo seu preço.

Se não houver coragem para tal, hoje o Edmilson esta levando nossas bases. Amanhã pode ser o Jatene, ou o Duciomar.

_____________

Notas

1. Uma variante no discurso adesista é a de que após a eleição vão ser chamados a “contribuir” com o governo psolista. Ora, bonita ilusão a de achar que o PSOL deixar que integrantes do partido que ele quer destruir colaborem com seu governo. Mais fácil esses militantes serem convencidos do equivoco em manter-se num partido “a serviço do capital”.

2. Na sessão “Movimentos Sociais”, do site do PSOL, só ha noticias relacionadas a esses eventos paredistas.

3. Sobre isso sugiro o link: http://coletivolenin.blogspot.com.br/2011/12/depois-do-iii-congresso-do-psol-o-que.html. É de uma corrente interna do PSOL, tome um anti-acido antes de visitar.

4. Ou formação teórica leniente.

5. Partidos como PCB, PSTU, PCO e pequenas tendências trostisquistas expõem claramente seus projetos. Pode-se não concordar com eles, nunca acusá-los de não publicizar seus programas.

Imagem: Montagem Blogueiro

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agosto 11, 2012 at 7:56 pm 3 comentários

Cotidiano…

Alunos e alunas da Escola Antônio Gondim Lins, localizada na Cidade Nova, fazem protesto contra as péssimas condições de ensino.

 

Clique na imagem para ampliar.

Foto: ORM

agosto 11, 2012 at 5:05 pm Deixe um comentário


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