Desejos

julho 9, 2012 at 3:21 pm 2 comentários

O blogueiro estava na praia em Mosqueiro.

Via em cada onda, em cada brisa, em cada criança,e em cada pipa, que adornava aquele céu magnifico, um texto em fermentação.

Afinal, é de pequenas coisas que o Diário de Um Educador é edificado. De gestos ou atitudes simples como a do adolescente que saboreava uma fatia de peixe na barraca, onde eu lia as crônicas de Clarice Lispecto.

Aliás, ao julgar que era a única pessoal a porta um livro na praia deduzir duas possibilidades: sou insano ou nosso povo não curte uma boa leitura.

Ah! O garoto que degustava o peixe o fazia com tanta desejo e com tanto prazer que cheguei a comparar aquele ato carnívoro a primeira noite de amor de homem.

O jovem retirava as alfaces do pobre peixe como um amante retira lentamente a veste de sua amada.

Cheguei imaginar as roupas sendo atiradas e as duas pupunhas emergindo, pontiagudas. Vi os dedos daquele menino tocando lentamente nos dois mamilos perfeitos do fruto do palmito.

Cheguei a pensar que aquela porção de peixe produto de um assassinato cruel era uma linda mãe d’água, que havia saído de um rio para satisfazer todos desejos daquele jovem homem.

Pensei: o que algumas patacas não podem obter?.

O jovem me torturava. Parecia perceber os meus mais íntimos desejos. Cheguei a imaginar que ele soubesse que era vegano e, por isso, desfrutava aquela mulher-peixe de forma tão sensual e pausadamente.

Era pura maldade.

Meus sentidos aguçados eram invadido por um cheiro de que não era mais de peixe. Era um aroma que assemelhava ao melhor perfume francês que jamais havia experimentado, produzido no fogareiro de uma pequena barraca de uma mulher que não parava de tagarelar.

Experimentava as sensações de um celibatário frente ao pecado.

Era um monge a praticar autoflagelação para não ceder aos desejos.

Aquela cena era uma provação.

Um martírio tão cruel quanto ao que o diabo submeteu Jesus

Graças a Deus aquelas cenas de sexo e sedução chegaria ao clímax. O rapaz devorou a última parte da sereia. Em seguida derramou devagarinho a última gota de cerveja em sua boca.

O fez com tanto prazer, com tanta paixão, que cheguei a imaginar que a cerveja não era mais cerveja, mas sim o liquido vivificante sendo derramado no canal da vida.

Era a grande explosão!

Voltei a mim. Troquei de mesa. Não cederia ao desejo. Mantive a crença. Mas confesso que esta foi a mais dura tentação que fui submetido desde que me tornei um adepto da filosofia de vida vegana.

Sobrevivi!!

Imagem: Google

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Entry filed under: Sem categoria.

Barba de molho Beijo

2 Comentários Add your own

  • 1. Lady Pedrita  |  julho 9, 2012 às 4:59 pm

    E que auto flagelação em blogueiro!!!!

    Responder
  • 2. Prof. Paulo  |  julho 9, 2012 às 5:24 pm

    Muito boa a crônica, blogueiro.
    Parece que ela inicia uma era nelsonrodriguiniana??
    Prof. Paulo

    Responder

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