A hora e a vez de Charles Alcântara

maio 28, 2012 at 12:04 am 2 comentários

Prezado Cavalcante,

Em primeiro lugar, meu caro Cavalcante, não há “paranóia” no intento golpista de rejeitar as contas de Edmilson.

O golpe, torpe e rasteiro, foi arquitetado e começou a ser construído na Câmara.

Conversei com dois vereadores do PT ligados à DS, a fim de saber o que pensam a respeito. Ambos afirmaram que jamais chancelariam essa manobra sórdida.

Em segundo lugar, as minhas relações “amistosas” com o PMDB, a que te referes, em nada se confundem com cumplicidade ou compadrio. Tais relações foram assim estabelecidas em razão da função que me cabia cumprir no ido governo de Ana Júlia, ao qual servi por pouco mais de 1 ano e três meses, tendo sido substituído, como sabes, por Cláudio Puty.

A “amistosidade” também se dava em meio à turbulenta convivência, não apenas entre PT e PMDB, mas até mesmo e, não raras vezes, ainda com maior intensidade, entre as correntes internas do PT.

Conheces bem, prezado Cavalcante, o quanto as disputas internas no PT chegam às raias da insanidade e da autofagia.

Salvo em situações extremas, conduzo-me com gentileza em minhas relações e, por incrível que pareça, nunca fui tão desrespeitado por qualquer integrante do PMDB e até mesmo do PSDB, como o fui por antigos “companheiros” do PT.

Fui tratado com mais respeito pelo governo do PSDB/DEM, contra o qual sempre combati, do que pelo governo que servi, a partir do momento em que assumi a presidência do Sindifisco, em janeiro de 2009.

Recebi voz de prisão, Cavalcante, quando liderava a greve da SEFA em junho de 2009.

O Sindifisco foi sentenciado a pagar multa. Lideranças do movimento paredista foram removidas ex-offício.

Revertemos tudo isto, com mobilização e enfrentamento, exatamente como aprendi ao longo dos meus vinte e cinco anos de militância no PT.

Não saí do PT desfazendo do partido, que continua a ser, para muitos, o depositário da esperança de um Brasil justo e feliz.

Não saí do PT desfazendo e negando os companheiros com os quais lutei e que continuo a admirar e respeitar. Não me refiro aos que se degeneraram no vale-tudo político.

Cavalcante, saí do PT muito orgulhoso de minha militância, mas ainda mais orgulhoso do que eu não fiz quando fui chamado a cumprir alguma missão.

Cuidar da manutenção da base política de sustentação do governo de Ana Júlia, que era integrada por diversos partidos, inclusive o PMDB, foi uma dessas missões – talvez a mais difícil da minha vida até aquele momento – que me esmerei para cumprir com lealdade.

Note que não fui partícipe da decisão pela aliança com o PMDB, pois não fazia parte da direção partidária, mas a mim coube zelar pela decisão que fora tomada. O mesmo PMDB, aliás, que integra a base de sustentação do governo da presidenta Dilma, sendo, depois do PT, o principal partido da base do governo federal.

Cavalcante, a mesma amistosidade que sugeres pautar a minha relação com o PMDB, reivindicas para ti em teu relacionamento comigo, mas nem por isto deixaste de destilar comentário aleivoso a meu respeito.

És daqueles que perde o amigo, mas não perde a piada, não é mesmo?

Pelo menos agora eu te conheço um pouco mais.

Desejo sorte ao Alfredo, um “cara” decente.

Mas estou com Edmilson. Não precisas concordar comigo, mas tens a obrigação – pois aprendemos isto – de respeitar a minha decisão que, se me permite, devolve a cidade de Belém às mãos do povo.

Um fraterno abraço,

Charles Alcântara

___________________________________________________________________

Resposta do blogueiro

Caro Charles

Em momento algum fiz um comentário aleivoso sobre você.

Fui irônico reconheço, mas esta é a proposta do blogue.

Quanto aos teus argumentos publico e agradeço a consideração de esclarecer aos meus leitores(as) que a informação publicada era verdadeira.

Abri até uma exceção e publiquei o teu texto como post, coisa que não fiz com gente do meu próprio partido.

Aliás, aqui a resposta foi em tamanho e quantidade de caracteres desproporcional a crítica.

Nunca conseguiria um espaço idêntico no jornal dos Barbalhos onde publicas os teus artigos.

Lá eles publicaram (em primeira página) até que eu ia ser preso porque um idiota fez um desconto indevido a uma professora.

Quem leu achou que aquele pobre professor era um marginal ou um corrupto!!

Mas não liguei.

Depois fui a sede da RBA conversar com aquela turma que tu conheces muito bem.

Ali me convenci de que fazer alianças com a turma do Jáder é se aliar a gangster.

Quanto aos teus argumentos apresenta aos teu novos companheiros de jornadas.

Aqui nunca serás mal visto, mas no Psol não posso garantir!!

Não perdi um amigo. Não poderia perder até porque não os tenho.

Sabe na minha idade prefiro cativar amizade em outras espécies.

Por isso, deixei de comer carne e explorar os animais.

E prefiro a companhia de cães, gatos, elefantes, aves, que não encerram uma amizade por que receberam uma crítica.

Aliás, depois de velho, parece que estás ficando igual ao teu ex-prefeito criança!

Talvez isso explique porque chamas nosso candidato de um “cara” decente.

É tão decente que não responde nenhuma ação por improbidade por mau uso das verbas destinada a saúde!

Quanto as tais contas – que meu partido votará favoravelmente, cuidado, pois Dom Quixote via moinhos de ventos e imaginava que eram gigantes!

Quanto as ações judiciais contra sindicatos quero te dizer que fui voto vencido.

Tu que comandaste a Casa Civil, sabes melhor do que eu como funcionava o governo.

Quanto a afirmação: “mais orgulhoso do que eu não fiz quando fui chamado a cumprir alguma missão”, lembro que a tua quarentena já acabou.

Reabre o teu blogue e conta tudo a população.

O povo tem direito de saber.

Ah! Temos um ponto em comum: ambos não gostamos de Cláudio Puty!

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Tudo vale a pena se a alma não é pequena… O operário que mudou o Brasil e o juiz que liberou Daniel Dantas

2 Comentários Add your own

  • 1. Charles Alcantara  |  maio 28, 2012 às 1:43 am

    Prezado Cavalcante,

    Agradeço-lhe, não pela publicação do meu comentário, pois não tinha dúvida que o farias, mas pelo destaque que o distinguiu.

    Nos últimos três anos publiquei três ou quatro artigos no Diário do Pará, o que não considero desabonador.

    Em passado mais remoto também já publiquei artigos no O Liberal, nos tempos de militância fervorosa no PT, sendo este jornal um sustentáculo do tucanato, o que também não me desabona.

    O Sindifisco, atualmente, anuncia em dois blogs que, permita-me a gíria, não livram a “cara” nem do PMDB, nem do PSDB, nem do PT, nem do PSOL…

    Não conheço “muito bem” aquela turma da RBA, como dizes. Eu os conheço apenas – o “muito bem” fica por conta da tua verve irônica. E, acredite, há bons profissionais por lá, como os há nas concorrentes.

    Dia desses em carta encaminhada ao blog do Barata eu afirmava que, no Brasil, a liberdade de imprensa é balela. Os grandes veículos publicam aquilo que convém aos negócios dos donos.

    Viva a blogosfera!

    É assim que penso.

    Cavalcante, muitos dos nossos “companheiros” que em público revelam asco do Jáder, cometem, em privado, atos iguais ou piores dos atribuídos ao político alvo de suas prédicas demagógicas.

    Não me preocupa se serei mal visto no PSOL, sobretudo depois do que passei no PT. Ademais, não sou filiado ao PSOL.

    Gosto da companhia das pessoas, até mesmo por que não me é possível a companhia dos elefantes.

    Também não me enervo com as críticas, mas tenho o mau hábito de respondê-las, desde que veja no interlocutor condição, disposição e honestidade para o debate, sem manipulações. Foi por essa razão que te respondi, pois no teu caso, não merecias a minha indiferença.

    O Alfredo é um “cara” (aspeei a expressão desde o meu comentário inicial) decente. E isto não é pouco nos tempos atuais, Cavalcante.

    Mas o Alfredo é um “cara” decente não por que não responde a nenhuma ação por improbidade por mau uso de verbas, pois há muitos “caras” indecentes que não respondem a quaisquer ações judiciais, apenas por que não foram apanhados ou ainda por que não passaram pela experiência de exercer cargos executivos.

    Sou grato ao teu empenho para que não houvesse as tais ações judiciais contra os sindicatos, entre os quais o Sindifisco. Mas foste voto vencido, não é mesmo?

    Se reabrir o meu blog não será para o propósito que sugeres, mas para um fim mais elevado.

    Por fim, não gosto e nem desgosto do Puty, portanto não é este ponto que temos em comum. Pensei que tivéssemos pontos comuns mais edificantes.

    Agradeço-lhe por esse papo, Cavalcante.

    Seguirei o caminho que escolhi.

    Um abraço amistoso,
    Charles Alcantara

    Responder
  • 2. ggggggggggggggg  |  junho 8, 2012 às 12:45 am

    Poderias ter ficado sem essa profº Cavalcante.

    Ronaldo Guilherme

    Comentário do Blogueiro
    RsssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssS

    Responder

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