janeiro 2, 2012 at 7:25 am Deixe um comentário

Ao hora e a vez dos Blue Men

Aos leitores(as): Em virtude do Dia da Rúcula e na conformidade com a religião vegana (Comte criou a dele, por que não criar a minha?) dois de janeiro não trabalho.

Afinal, trabalhei no dia 25 e na virada do ano!!

Agradeço Bobby John por ter assumido a redação e permitido eu saborear uma deliciosa salada e tomar um banho gostoso na Bica da Alça, ao som da Gabi Amarantos!!!

Stomp and Blue Men: o efêmero no tempo do capitalismo

Bobby Jhon*

Hoje não vou fazer as reminiscências que serviram de cartão de visitas a este blog tão bem recomendado por meu amigo Professor Aguiar (há, essa mania dele não largar o formalismo). Quero discutir o descartável em nossa modernidade.

Esse artigo surgiu porque procurava para minha namorada Genoveve de Soleil, uma ninfeta de 70 anos, o episódio 2 da segunda de I love Lucy, de 1947. Ela queria copiar de lá uma receita de bolo de laranja ao licor de anis apresentada naquele programa. Nessa busca acabei me deparando com um retorno de pesquisa no Youtube em que se equiparavam os grupos Stomp- do final dos anos 90 – com os Blue Men, sucesso mundial a partir de 2009.

Fiquei a imaginar que algorítimo havia igualado os dois. A única similaridade entre ambos é o fato de fazerem música sem usar instrumentos musicais. Fora isso, é como dizer que banana tem gosto de pera.

Os Stomp`s são geniais. Tiram som de qualquer coisa. Caixa de fósforos, caixa torácica, mãos, canetas, vassouras. Os Blue Men usam o material que sabem que terá retorno garantido, de preferencia tubos de PVC.

Outra marca filosófica é o conceito de identidade. Os Blue Man são pasteurizados. Todos precisam ter 1,80 m de altura. Todos devem ficar carecas. Todos são brancos. São todos homens. Sarados. Todos se pintam de azul. Você já pode ter passado por um deles na rua mas não o reconheceu. Imagine um deles pedindo emprego: “eu fui um Blue Man. Lembra de mim? Eu era aquele alto, careca e azul”.

Os Stomps são cada um. Há brancos. E negros. Vi algumas mulheres por lá. E hispânicos. Há altos e baixos. Alguns fora de forma. Outros “nos trinques”. Mas você pode olhar para eles e se identificar com algum. Ou detestar outros.

Uma terceira diferença é o cenário. Posso estar sendo injusto, mas não vi os Blue fora de estúdio, fora de condições controladas. Os Stomps vão ao palco é claro, mas também a parques, ruas, ginásios, escolas.

Fiquei imaginando se a nossa cultura é do descartável, porque os Blue Men são um sucesso empresarial e os Stomp estão esquecidos?

Afinal, uma bola de basquete não quica do mesmo jeito em São Paulo e no Harlem. Um par de baquetas não tem a mesma sonoridade se for feita de freixo português ou de carvalho estadunidense. O obra do stomp é aberta, inclusive correndo o risco do fracasso – de não acontecer.

Já os Blue, são sempre os mesmos, mesmo que mudem. Sua música terá o mesmo som em qualquer palco do mundo.

Então a chave para entender a cultura de massas do nosso tempo não é o efémero, posto que arriscado. É o controlável. Tal como crianças que encontram acolhimento na repetição, os hodiernos consumidores culturais querem a segurança do controle. Querem saber o que estão comprando, para terem a certeza de que chegou a hora do descarte.

Acho que a frase de apresentação para o próximo período é: “eu fui um Blue Man. Lembra de mim? Eu era aquele alto, careca e azul”.

* Bobby Jhon é sindicalista e cientista político. Nas horas vagas presta consultoria a Eduardo Duseck, Paulinho Moska e Marisa Monte. Seu novo projeto de vida é coreografar a Paula Fernandes.

 

Imagem: Google

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