Carta testamento

dezembro 11, 2011 at 1:47 am Deixe um comentário

Aos meus queridos netos(as),

Ainda a pouco falei com seu pai Yuri e pedi que se comprometesse a entregar esta carta pra vocês.

Pedi que o fizesse quando se aproximasse a realização de mais um plebiscito sobre a reorganização do Estado do Pará. Infelizmente, seu avô blogueiro, será apenas uma vaga lembrança entre vocês.

Peço que ao lerem deem o devido desconto ao seu querido avô. Ele sempre se envolveu com paixão as causas que se dedicou.

Nunca agiu por interesses pessoais ou motivados pelo dinheiro e pela vontade de se dar bem na vida.

Nesta dia, 11 de dezembro de 2011, ele não está feliz, mas também não nutre sentimento de raiva ou vingança. Ele apenas acatou o resultado das urnas.

O Povo do Pará tem o direito de escolher por maioria de voto em manter uma família unida apesar de alguns de seus filhos já julgarem que é hora de seguir a vida.

Os paraenses que votaram no Não agiram como seu pai Yuri que sempre se recursou a sair de casa. Ficou velho nesta residência simples, mas confortável que seu avô e sua avó construíram com o suor de seus trabalhos.

De qualquer forma não ajam como esta geração que recursou nas urnas a permitir que o povo tapajônico tivesse direito a viver em seu próprio Estado.

O povo que disse não agiu por interesses egoístas e se deixou influenciar por organizações como a ORM ou pelo grupo da RBA controlada pelo ex-deputado que nunca mais voltou ao senado,o Jader Barbalho.

Pela primeira vez nos últimos dez anos eles decretaram um cessar fogo na luta irracional que travam cotidianamente e se uniram contra a luta histórica do povo Tapajônico.

Fizeram isso para perpetuar o controle dos veículos de comunicação e continuar governando o nosso Estado. Eles são os principais vencedores e responsáveis pela vitória do não, neste domingo.

Quanto ao povo, este saiu dividido e cheio de mágoas!

Lembro a vocês que seus queridos bisavós, bem como seus avós sempre compraram seus bens nas Lojas Y. Yamada.

A loja foi fundada por Japoneses que formaram um império e ficaram ricos graças aos televisores, móveis e presentes de natal que seu Raimundo e Dona Helaene adquiriram naquele empreendimento.

Seus avós continuaram a tradição e espero que vocês também tenham o “cartão gente boa” e comprem seus tablets e outros equipamentos eletrônicos dos japoneses que são mais paraenses que muitos de nós.

Digo isso para alertá-los a não caírem no canto da sereia do xenofobismo muito praticado na campanha plebiscitária que agora se encerra.

Xenófobos eram os nazista que colocaram os judeus em guetos e xenófobos são aqueles que difundiram entre os nossos povos a ideia de que seu avô era forasteiro. Logo ele que sempre amou esta bela Belém, que nasceu na Santa Casa de Misericórdia, sob a luz de velas e adorava escutar a sua bisavó contar essa história.

Não cedam a propaganda e ao discurso fácil dos anti-separatista. Pensem do que seriam dos proprietários da Loja Y.Yamada se seus bisavós e ou seu avô praticassem o xenofobismo. Nossa família sempre se identificou com ideias democráticos, com as causas da educação, da justiça social e dos direitos civis. Nunca cedemos ao racismo o ao xenofobismo.

Cumpram o seu dever democrático. Votem no Sim ou no Não, mas não se deixem influenciar pelas máquinas de propagandas.

Não se deixem levar pelos novos Zenaldos, Jatenes, Lira Maias que fizeram com o que o povo do Pará se odiasse tanto nesta noite de domingo.

Não sejam massas de manobras de ninguém. Os que criaram este sentimento de ódio entre nós o fizeram motivados apenas por interesses eleitorais. Um desejava se tornar prefeito de Belém (nunca foi), outro de Santarém e o atual governador queria se reeleger em 2014.

Eles controlavam as frentes que nos fizeram nos odiar tanto. Vocês tem o poder do voto, tem também o poder de reconciliar o nosso povo.

Quanto ao seu avô muitos não entenderam porque ele se juntou à campanha separatista. Ele não tinha um projeto de se candidatar para cargo eletivo. Nunca mais voltou a ocupar cargos públicos nos governos que se sucederam, não era madeireiro e pouco menos um forasteiro que queria roubar o ferro, o ouro ou os recursos florestais, dois quais o nosso povo pobre nunca recebeu um centavo.

Ele o fez porque amava o povo tapajônico. Tornou-se separatista não pelo discurso do deputado ficha-suja Lira Maia ou pela respeito que nutria pela Prefeita Maria de Santarém. O fez porque um dia se apaixonou por Santarém (aliás, foi a beira do rio Tapajós que o velho blogueiro escolheu viver a fase final de a sua vida).

Este foi o motivo do meu voto, tão passional, a cara do seu avô.

Encerro deixando pra vocês o registro do maior bem que o homem pode conquistar na vida: o direito de decidir livremente pelo voto o destino de sua cidade, de seu estado ou de seu país.

Foi assim que o eu e sua avó fizemos!!!

Vejam o registro do nosso voto. A urna eletrônica deve parecer uma geringonça pra vocês!!!


Com paixão,

Do avô blogueiro Luís Cavalcante

Foto: Arquivo pessoal

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