Canudos até o fim

novembro 19, 2011 at 12:54 am 1 comentário

Segundo René Arcanjo, correspondente blogue em Santarém, os professores(as) do futuro Estado do Tapajós decidiram continuar em greve. A notícia é confirmada pela mocoronga Rádio Ponta Negra.

Canudos vive!! E seus últimos combatentes continuam a lutar pelo piso salarial constitucional e passaram a se declarar a favor da criação do Estado de Tapajós.

 A rebeldia dos proscritos tapajônicos só faz crescer o ódio do exército republicano, que procurou a todo momento destruir o arraial para impedir novas rebeliões.

 O blogueiro declara todo apoio a luta dos verdadeiros defensores da Canudos, aqueles que resolveram resistir escola a escola, sala a sala, carteira a carteira, até a última trincheira.

O blogueiro aproveita a oportunidade ímpar, o fato inusitado, o gesto valente dos professores(as) de Santarém, que deve assombrar a tantos que se julgavam revolucionários, cuja valentia, do gesto vindo de tão longe, os despem de qualquer adjetivo relacionado a bravura, e posta o relato final do verdadeiro e inconfundível Euclides da Cunha sobre a destruição da Canudos real.

Então vamos ao final de canudos:

 “Fechemos este livro.

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.

[…]

Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5200, cuidadosamente contadas.

Antes, no amanhecer daquele dia, comissão adrede escolhida descobrira o cadáver de Antônio Conselheiro.

Jazia num dos casebres anexos à latada, e foi encontrado graças à indicação de um prisioneiro. Removida breve camada de terra, apareceu no triste sudário de um lençol imundo, em que mãos piedosas haviam desprazido algumas flores murchas, e repousando sobre uma esteira velha, de tabua, o corpo do ‘famigerado e bárbaro’ agitador. Estava hediondo. Envolto no velho hábito azul de brim americano, mãos cruzadas ao peito, rosto tumefacto e esquálido, os olhos fundos cheios de terra – mal o reconheceram os que mais de perto o haviam tratado durante a vida.

Desenterraram-no cuidadosamente. Dádiva preciosa – único prêmio, únicos despojos opimos de tal guerra! — faziam-se mister os máximos resguardos para que se não desarticulasse ou deformasse, reduzindo-se a uma massa agulheta de tecidos decompostos.

Fotografaram-no depois. E lavrou-se uma ata rigorosa firmando a sua identidade: importava que o país se convencesse bem de que estava, afinal extinto, aquele terribilíssimo antagonista.

Restituíram-no à cova. Pensaram, porém, depois, em guardar a sua cabeça tantas vezes maldita – e como fora malbaratar o tempo exumando-o de novo, uma faca jeitosamente brandida, naquela mesma atitude, cortou-lha; e a face horrenda, empastada de escaras e de sânie, apareceu ainda uma vez ante aqueles triunfadores.

Trouxeram depois para o litoral, onde deliravam multidões em festa, aquele crânio. Que a ciência dissesse a última palavra. Ali estavam, no relevo de circunvoluções expressivas, as linhas essenciais do crime e da loucura…”

Imagem: Google

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Entry filed under: Sem categoria.

Acabou a greve dos professores(as). Leia a ata derradeira: Ou isto ou aquilo

1 Comentário Add your own

  • 1. Nazaré Cavalcante  |  novembro 19, 2011 às 2:19 pm

    Blogueiro,

    Que belo texto!
    parabéns

    Responder

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