Archive for maio 26, 2011

Editorial

Aviso vermelho: a tempestade perfeita

O mal nunca vem só nos ensinam os meteorologistas.

Esta lição deveria ser aprendida pelos atuais dirigentes da SEDUC. Deveriam também aprender que quando todas as coisas acontecem ao mesmo tempo, quando todos os acontecimentos apontam para uma crise profunda, não se pode responder a essa realidade com performances midiáticas ou espetáculos pirotécnicos.

A crise se fez carne. Refiro-me a crise de segurança que atravessam as escolas públicas da rede estadual de ensino, que ameaça se transformar em uma tempestade perfeita e que a SEDUC prefere ignorar ou tratar com ações bisonhas, desconectas, que evidenciam seu desconhecimento da realidade e seu total afastamento das unidades escolares que deveriam gerenciar.

Uma hora o atual Secretário anuncia um “plano de segurança” que não foi debatido com ninguém, e declara que as escolas passarão a controlar o acesso da população. Afirma que será exigido o crachá para acessar as nossas escolas e que os atendimentos passarão a ser agendados pelas unidades de ensino.

Nenhuma das ações prometidas foi implantada nas escolas da rede estadual. E ninguém perdeu absolutamente nada!

Outra hora Nilson Pinto declara que vai resolver o problema da violência nas escolas exigindo o uso de carteirinhas ou implementando projetos de lideranças estudantis para combater a grave crise de insegurança que se instalou em nossos estabelecimentos de ensino.

O problema é que “ninguém deita remendo de pano novo em vestido velho, porque semelhante remendo rompe o vestido, e faz-se maior a rotura.” Mateus 9:16.

Nilson Pinto parece viver num mundo próprio, numa espécie de autismo, insiste enxergar o micro mundo das escolas pela visão distorcida da tecnocracia seduquiana ou pela ótica dos bajuladores(as), que no afã de obter favores passam a descrever para o Secretário de plantão uma escola que só existe no mundo das ideias.

Seus assessores parecem passar o dia todo discutindo se o ovo precedeu a galinha

O problema é que esse mundo perfeito, A Cidade do Sol de Campanella, está sujeito a corrosão do tempo.

Enquanto o Secretário de Educação vai vivendo com sua matrix, seu mundo virtual, nossas escolas passam a ser “controladas” pelo tráfico, que adota uma estratégia agressiva de criação de um mercado consumidor de drogas em seu interior.

Muitos de nossos alunos(as) são recrutados para trabalhar nesse empreendimento. São escolhidos a dedo pelos agentes do tráfico, que os selecionam com base em critérios estéticos, levando em conta a sua capacidade de liderança e de influenciar os demais alunos(as).

Isto explicaria porque o tráfico cresceu tanto em sua influência em nossas escolas nos últimos meses.

No micro mundo das escolas alguns acontecimentos prenunciam a tempestade perfeita.

Na escola onde trabalho dois assaltantes roubaram uma professora que ministrava um curso no laboratório multidisciplinar.

Fatos semelhantes aconteceram nas Escolas Rainha da Paz, Oneide Tavares e Nossa Senhora do Guadalupe.

Há relatos em muitas escolas de episódios de violência e denúncias que alunos(as) traficam drogas no interior dos estabelecimentos.

As equipes técnicas das escolas já não conseguem atender tantos registros de indisciplina. Estão sobrecarregadas e não conseguem cuidar dos projetos pedagógicos das escolas.

Diante dessa grave situação a Secretaria de Educação deveria tratar o tema com a prioridade necessária e discutir um plano de combate a violência com a sociedade civil organizada.

Nada de pirotecnia e superficialidade!

Se nada for feito, em agosto a tempestade perfeita será realidade!

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maio 26, 2011 at 1:07 pm 1 comentário


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