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Sábado Deus descansou. Deus repousou em Belém do Pará

Dos textos que escrevi Chove em Belém é o que mais gosto. Ele foi publicado em 19/01/2008 no Diário de Um Educador.

Como estamos iniciando o período de chuvas decidi publicá-lo de novo.

 

CHOVE EM BELÉM

Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou;

porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera. (Gênesis)

 

Caro leitor,

 

Hoje é sábado e se os meus conhecimentos de Exegese não estiverem enganados foi num dia como este que Deus, após ter criado os céus e a terra, decidiu descansar.

 

Sentando em frente ao monitor de meu computador fico imaginando que lugar ele teria escolhido para se recuperar do enorme dispêndio de energia que utilizou para criar as coisas que vemos e aquelas que nem imaginamos que existem. O criador de galáxias, estrelas, planetas, cometas também precisou de algumas horas de repouso.

 

Após brutal esforço Ele com certeza deve ter escolhido o lugar mais bonito do mundo para repousar e admirar suas criações. Precisava ver os pássaros, borboletas, mares, árvores, plantas, frutos e tudo mais que sua inteligência tinha concebido e sua enorme capacidade construtiva havia edificado.

 

O criador de tudo, sensatamente, escolheu a Cidade de Belém do Pará para descansar. Infelizmente, este acontecimento não foi registrado nos livros sagrados por ciúmes dos escribas. Mas tenho absoluta certeza, que Deus não resistiu a tentação de se deitar a beira da Baia do Guajará, apreciar as belas mangueiras e ficar o dia inteiro se deliciando com aquela chuva fina, interminável, que cai sobre Belém.

 

Enquanto em algum lugar Ele se espreguiçava o Uirapuru em sua homenagem cantava silenciando a floresta. Bem-te-vis, araras, curiós, tucanos, mutuns e socós esperavam ansiosos para exibir ao criador a beleza dos seus cantos.

 

Belém é capaz de seduzir deuses nestes dias de chuva. Você acorda e vê pela janela aquelas gotas de vida banhando a cidade.

 

Para os que não nutrem sentimentos poéticos trata-se apenas de um fenômeno meteorológico que consiste na precipitação de água sobre a superfície da terra. Mas os apaixonados, os amantes, os sonhadores, os lunáticos, vêem naquelas gotículas fonte de inspiração para a criação dos mais belos poema de amor.

 

Como não sou poeta, adoro nestes dias de chuva acordar ao lado da mulher amada. Há vinte e dois anos eu peço a minha companheira que me abrace e aqueça o meu corpo. É como se atendêssemos um ultimato da chuva e ela comandasse nossos corpos.

 

A chuva em Belém tem esse estranho poder de tornar os amores mais intensos e mais duradouros.

Enquanto a chuva cai, como Deus fez há bilhões de ano atrás, adoro escutar os pássaros cantando no quintal da casa onde resido. Olho pelo vidro da janela do quarto e vejo minhas plantas molhadas, acerolas caídas no chão. Minha bananeira zelosamente cuida de sua filha. Ela é a Musa do quintal que me presenteia com deliciosos frutos.

 

Há um mundo inteiro, naqueles pequenos canteiros, de seres de todo os tamanhos que parecem festejar a chuva.

 

Por essas razões jamais aceitei ou pensei em morar naqueles espigões infernais que a cada dia avançam e aprisionam a cidade. Alí, não poderia usufruir do meu Jardim do Éden, Jardim das Delícias, do Paraíso Terrestre. Não poderia ver a chuva semear a vida em meu quintal. Não teria a possibilidade de observar a vida insistir e surgir em lugares inimagináveis.

 

Desculpem-me os Teólogos, os conhecedores dos textos bíblicos, os leitores do blog que nasceram em outras cidades. Sábado Deus descansou. Deus repousou em Belém do Pará.

Imagem: Google

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dezembro 14, 2010 at 3:33 am Deixe um comentário


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